Toda criança que vai à escola tem o desejo de aprender a ler e escrever. Alimentar esse desejo é dever do professor, portanto ele deve encantar, fazer de suas palavras alimento, incentivo, esperança, acalanto, poesia. Enfim ele deve fazer os olhinhos das crianças brilharem.
Um pouquinho de minha alfabetização
Quando
tinha sete anos comecei a frequentar a escola. Eu estava empolgada, assim como
minhas coleguinhas. Diziam para nós que
a professora era bonita, elegante (porque não usava o hábito, como as freiras)
e boazinha. Lá fui eu, mas não tive a mesma facilidade que minhas colegas
tiveram em ler e fazer continhas. Por isso a professora me chamava à lousa, eu
chorava, chorava. Talvez, cansada em me ver chorar, me apelidou de Maria
Chorona e era assim que eu ia à lousa, sem nenhum resultado. Não demorou muito
fui tirada da escola, não era nem meio do ano.
Então,
quando já tinha oito anos... lá vamos nós outra vez... Outra professora,
hummm.... feia, hummm... nada elegante, mas ela pegou minha mão e levou-me até
à lousa, pegava minha mão para que eu
escrevesse em meu caderno. Fui gostando. Certa vez ela pediu à Madre Superiora
para que a autorizasse a levar-me a um passeio, assim foi concedido. Fomos à casa dela, lá eu não realizava nenhuma
tarefa, só era paparicada, ganhei roupas e sapatos novos e, é claro, uma
boneca.
À
noite, sexta-feira, ela levou-me ao seu
outro trabalho, em outra escola, então eu pude vê-la ensinando outras pessoas,
mais adultas. Fiquei observando, quietinhas, sentadinha na carteira do fundo.
Não sei o que foi aquilo, não sei explicar, mas está vivo em minha lembrança.
O
que a professora fez para que eu de repente começasse a ler, escrever e fazer
continhas? Não sei explicar, só senti. Sinto até hoje.
(Iracema)
(Iracema)
